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Acesso ao financiamento para PMEs: derrubando barreiras ao crescimento dos negócios nos países em desenvolvimento
As pequenas e médias empresas estão no centro da maioria das economias em desenvolvimento, mas operam com uma desvantagem estrutural: o sistema financeiro geralmente as considera um risco antes de vê-las como oportunidades. Isso não é simplesmente uma questão de capital escasso. É o efeito cumulativo de lacunas de informações, regimes de garantias fracos, altos custos de transação e escolhas regulatórias que, às vezes de forma não intencional, inclinam as finanças para as maiores e mais formais empresas. O resultado é um conhecido paradoxo do desenvolvimento: espera-se que as PMEs impulsionem empregos, produtividade e resiliência, sem ter o oxigênio necessário para crescer.
Para formuladores de políticas e investidores, as apostas estão aumentando. A volatilidade macroeconômica, os impactos climáticos e a fragmentação geopolítica estão forçando as empresas a se adaptarem mais rapidamente, manter mais capital de giro e investir em resiliência operacional. Ao mesmo tempo, os governos estão sob pressão para gerar empregos e ampliar as bases tributárias sem expandir as folhas de pagamento públicas. O financiamento das PME não é, portanto, uma agenda de inclusão de nicho; é uma agenda de competitividade. A questão não é se devemos expandir o acesso, mas como fazê-lo de uma forma que seja comercialmente sustentável, fiscalmente disciplinada e institucionalmente credível.
Por que o financiamento de PME falha na prática
A “lacuna de financiamento” é frequentemente descrita como uma escassez de liquidez, mas o gargalo é mais preciso: os bancos lutam para subscrever PMEs de forma eficiente e defensiva. Muitas PMEs têm baixos registros financeiros, operações baseadas em dinheiro e receitas voláteis vinculadas à sazonalidade ou aos preços das commodities. Isso torna a avaliação de crédito tradicional cara e, em mercados onde a aplicação da lei é lenta, o valor esperado de recuperação das garantias é baixo. Quando os credores não conseguem avaliar o risco com precisão, eles racionam o crédito. Quando eles racionam o crédito, o mercado parece escasse—mesmo quando existe liquidez em outras partes do sistema.
A informalidade amplifica essa dinâmica. As empresas informais podem estar evitando racionalmente impostos ou encargos regulatórios, mas também estão optando por não participar das trilhas de dados das quais o setor financeiro depende. A questão não é moral; é mecânica. Sem informações verificáveis, os credores substituem o potencial de negócios por garantias e suposições conservadoras. É por isso que “treinar PMEs para redigir planos de negócios” raramente move a agulha por si só. A menos que os custos de subscrição caiam e as perspectivas de recuperação melhorem, a curva de oferta de crédito para PMEs permanece teimosa.
Há também uma camada macro que geralmente é ignorada. Em muitos países em desenvolvimento, os bancos obtêm retornos atraentes ajustados ao risco mantendo papéis do governo ou emprestando a um conjunto restrito de empresas de primeira linha. Nesse ambiente, os empréstimos para PMEs devem competir com alternativas mais simples, seguras e baratas de administrar. Se a estrutura de incentivos do setor financeiro não for abordada, o financiamento das PME continuará sendo uma aspiração política e não um resultado de mercado.
As barreiras reais: risco, custo e confiança
O risco de crédito é apenas um componente do problema. Para as PME, o custo do empréstimo reflete não apenas a probabilidade de inadimplência, mas o custo do serviço de pequenos empréstimos. A originação, a devida diligência, o monitoramento e as cobranças são caros em relação ao tamanho do ingresso, especialmente em regiões fragmentadas. Mesmo quando as taxas de juros são limitadas ou subsidiadas, os credores responderão aumentando a elegibilidade ou reduzindo a exposição, porque as margens não cobrem os custos operacionais. A eficiência, não a generosidade, é o caminho escalável para reduzir os custos de empréstimos às PME.
A confiança é a outra barreira. As PMEs geralmente percebem os bancos como lentos, imprevisíveis e obcecados por garantias, enquanto os bancos percebem as PMEs como opacas e difíceis de gerenciar. Esse ceticismo mútuo molda o comportamento: as PMEs subnotificam; os bancos concedem garantias excessivas; os relacionamentos permanecem transacionais em vez de desenvolvimentistas. Em muitos mercados, isso é agravado por agências de crédito fracas, infraestrutura limitada de transações garantidas e gargalos judiciais. A consequência é um sistema de financiamento racional no nível micro, mas abaixo do ideal no nível nacional.
O que funciona: construir um ecossistema de financiamento, não um único instrumento
As melhorias mais duradouras vêm da mudança da lógica de subscrição. Pagamentos digitais, faturamento eletrônico, declaração eletrônica de impostos, fluxos de dinheiro móvel e vendas baseadas em plataformas geram dados alternativos que podem reduzir a assimetria de informações. Mas o ponto estratégico não é a “disrupção da fintech”. O objetivo é converter a atividade econômica em sinais confiáveis e autorizados que os credores possam usar. Quando essa conversão acontece, as decisões de crédito se tornam mais rápidas, baratas e inclusivas, geralmente sem reduzir os padrões.
O financiamento da cadeia de suprimentos é um canal particularmente pragmático porque ancora o crédito das PME a contrapartes mais fortes e transações verificáveis. Quando as PMEs vendem para grandes compradores — órgãos públicos, empresas ou exportadores — a obrigação de pagamento do comprador pode ser usada para reduzir o risco do financiamento. Isso reduz a dependência de garantias fixas e alinha o crédito à geração de receita. No entanto, exige mais do que um produto. Ela precisa de disciplina de compras, integridade de faturas e fluxos de trabalho digitais. O financiamento da cadeia de suprimentos é bem-sucedido quando os sistemas comerciais e públicos cooperam na confiabilidade de dados e pagamentos.
Os esquemas de garantia também podem desempenhar um papel, mas somente sob uma governança rígida. Garantias mal projetadas podem excluir a disciplina privada ou se tornar passivos contingentes que os governos não conseguem administrar. Garantias bem projetadas, por outro lado, podem catalisar empréstimos absorvendo uma parte definida do risco, incentivando o crescimento do portfólio e incentivando os credores a aprenderem o segmento. A diferença está nos preços, na elegibilidade, no gerenciamento de reclamações e no monitoramento de desempenho. Uma garantia não é um subsídio; é um contrato de compartilhamento de riscos que deve ser gerenciado como tal.
Para as PME em fase de crescimento, os instrumentos de capital próprio e quase-capital são tão importantes quanto a dívida. Muitas PME estão subcapitalizadas e tentam financiar a expansão apenas por meio de linhas de capital de giro, que são estruturalmente incompatíveis. Expandir o acesso ao capital de risco não é realista em todos os lugares, mas veículos financeiros combinados, capital privado local, financiamento baseado em receita e fundos estruturados podem preencher lacunas onde os modelos de negócios são viáveis, mas o apetite pelo risco é limitado. A disciplina estratégica é combinar o instrumento com a maturidade do negócio, não forçar todas as empresas a passarem pelo mesmo funil de dívida.
A agenda política e institucional que libera escala
As reformas financeiras geralmente são enquadradas como atualizações técnicas, mas os maiores ganhos vêm da confiabilidade institucional. Leis de transações seguras, registros de garantias, estruturas de ativos móveis e fiscalização mais rápida podem mudar materialmente as expectativas de recuperação dos credores. Da mesma forma, fortalecer os sistemas de informações de crédito e incentivar a interoperabilidade de dados em plataformas de pagamentos, impostos e registro podem reduzir os custos de subscrição. O financiamento das PME aumenta quando as instituições reduzem a incerteza, não quando os governos anunciam metas.
As compras públicas também merecem atenção como alavanca financeira. Quando os governos pagam aos fornecedores com atraso, eles reduzem o estresse de liquidez na cadeia de suprimentos, forçando efetivamente as PMEs a financiar o estado. Pagamentos oportunos e previsíveis podem desbloquear o financiamento dos fornecedores e reduzir as dificuldades das PME. Nesse sentido, a reforma de compras não trata apenas de governança; é uma intervenção de balanço patrimonial para o setor privado. Onde existem restrições fiscais, os governos ainda podem melhorar a previsibilidade por meio de calendários de pagamento mais claros, faturamento verificado e gerenciamento transparente de atrasos.
Há também uma questão prática de sequenciamento. A formalização geralmente é apresentada como um pré-requisito para o financiamento, mas pode ser mais eficaz como resultado. Quando as PMEs veem valor tangível — acesso a crédito acessível, elegibilidade para compras ou aprovações mais rápidas — elas têm incentivos para entrar em sistemas formais. O caminho mais rápido para a formalização geralmente é torná-la comercialmente útil.
A lógica do investimento: com foco na viabilidade financeira e na entrega
Para investidores e DFIs, o financiamento de PMEs é atraente, mas difícil, porque o desempenho depende da execução local. As estratégias mais financiáveis são aquelas que controlam o pipeline de subscrição, a qualidade dos dados e a capacidade de cobrança, enquanto operam sob permissões regulatórias claras. É por isso que as parcerias entre bancos, fintechs, plataformas e órgãos públicos são cada vez mais centrais: cada uma contém uma peça do quebra-cabeça: balanço patrimonial, distribuição, dados ou capacidade de compartilhamento de riscos. A questão-chave é a governança: quem é o dono do cliente, quem é o proprietário dos dados e quem é responsável quando as coisas correm mal.
Em nível nacional, a expansão do financiamento de PMEs deve ser abordada como um programa de ecossistema com resultados operacionais mensuráveis — prazos de aprovação, desempenho do portfólio, custo de serviço e cobertura de segmentação — em vez de um lançamento de um único produto. Sem essas métricas, é fácil confundir volumes de desembolso com impacto e crescimento de crédito com acesso sustentável. O objetivo não é emprestar mais; é emprestar melhor em grande escala.
Navegar por essas vantagens e desvantagens requer mais do que um “suporte genérico para PMEs”. Ele exige inteligência de mercado integrada, análise regulatória e institucional e design de entrega que vincule os instrumentos financeiros às realidades da informalidade, escassez de dados e restrições de fiscalização. Na Aninver, apoiamos os clientes na estruturação de iniciativas financeiras para PMEs que sejam tanto investíveis quanto implementáveis, com base na experiência em desenvolvimento do setor privado, consultoria política e elaboração de programas, incluindo projetos sobre competitividade de PME, estratégias de crescimento inclusivo e sistemas digitais e institucionais que fortalecem o funcionamento do mercado. Para saber mais sobre como abordamos os ecossistemas de desenvolvimento e financiamento do setor privado, explore nossa seção de Projetos ou busque suporte estruturado na concepção, redução de riscos e entrega de programas de financiamento para PMEs.









